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terça-feira, 5 de março de 2019

eu acordei com as flores.

Flores,
Doces flores
As doídas lembranças
Dos piores horrores.

Pelo pátio sombrio
Um vento empoeirado
E o som agonizante
Do portão enferrujado.

No crematório abandonado
Espalhada pelo chão
Minha alma jazida
Trancafiada em um caixão.

Meu corpo, já frio;
Fedor de carne podre
Longa espera pra me tornar
Cinzas de carvão e enxofre.

Então começa a chuva:
Gotas acinzentadas
Entram pelas fendas
Nas janelas estilhaçadas.

Em passos silenciosos
Pelas poças de lamas

As almas se debatendo
Na corrida noite insana.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Flor desabrochada

Essa é uma história de amor. Por favor, tentem se lembrar disso enquanto lêem. Amor. É tudo sobre Julie.
Soube do momento em que pus meus olhos nela que faria qualquer coisa para tê-la. Felizmente, não tive de trabalhar tão duro. Podia ver em seus olhos na primeira vez que nos falamos e chamei-a para sair. Ela também me queria e disse sim antes mesmo de eu terminar de falar. Os olhos dela brilhavam como diamantes. É uma das coisas que eu mais gosto nela.

Nos apressamos em dizer "Eu te amo", logo após só alguns encontros, mas nós sabíamos.

Minha casa estava sempre cheia dos meus amigos idiotas e então começamos a falar sobre arrumar um lugar para nós sozinhos. Meu melhor amigo, Greg, não ia muito com o a cara dela nem com o fato de estarmos nos mudando, mas ele entendia. De qualquer modo, sempre saíamos todos juntos para ver filmes, jogar boliche, coisas normais desse tipo.

Bem, recebi uma ligação dos pais da Julie umas noites atrás. Eles me disseram que receberam uma ligação da Polícia dizendo que ela estava havia sido atingida por um bêbado que atravessou a faixa de pedestres, e agora se encontrava no hospital. De qualquer modo, corri desesperadamente ao hospital e no meio do caminho Julie me ligou, para me desesperar mais ainda, mas quando atendi e ela me disse que estava tudo bem, haviam sido só umas escoriações e cortes, relaxei e me acalmei um pouco. Não me importo em admitir que ainda assim havia chorado um pouco de preocupação. Ela me contou que também já estava recebendo alta e assinando uns papéis, e logo poderia ir buscá-la.
Ao chegar no hospital já havia me recomposto e voltado ao meu normal. Mal pude entrar e me aproximar do balcão de informações quando a ouvi chamar meu nome. Me virei e vi ela. O brilho dos seus olhos não estava lá (não era de se surpreender, pelo que havia acontecido), mas ainda assim era ruim. Eu totalmente perdi a postura que achei havia ter retomado. Quebrei totalmente e abracei ela forte enquanto ela deslizava a mão para minha nuca, como ela fazia quando  eu estava bravo, e após um ou dois minutos nós fomos para meu carro.
Julie me contou que o motorista bêbado havia morrido e eu pensei "bem, melhor ele do que ela", e não me arrependi do pensamento; eu mesmo teria matado ele se tivesse sido me dada a oportunidade. Ela me disse que estava bem e no fim das contas, era só o que me importava.

Voltamos para minha casa e as luzes estavam apagadas, o que era estranho, uma vez que meus colegas de quarto sempre esqueciam de apagar quando saiam.

Julie estava se sentindo um pouco fria e parecia tão pálida que só nos deitamos e dormimos de conchinha até ela melhorar. Foi um longo dia, afinal. Lembro de ouvir uma última coisa antes de dormirmos totalmente: "Eu vou te amar pra sempre, meu bem."

Liguei para o trabalho no dia seguinte e disse que ficaria em casa com Julie, ela estava se sentindo bem fraca ainda, novamente não surpreendente. Havia umas chamadas perdidas de meus amigos e família, sem dúvida haviam sabido do ocorrido e queriam dar suporte, mas retornaria as ligações depois.

Talvez só o acidente, ou o fato de não a ver muito sem maquiagem... mas ela não parecia muito bem. Digo, a cor dos olhos dela estava se esvaindo e ela se parecia cada vez mais vazia, e o brilho não voltava. Sugeri que voltássemos ao hospital mas ela disse não, que estava bem, somente cansada e sonolenta.
Bem, dias se passaram e liguei avisando que ficaria em casa até ela melhorar. Mas ela não melhorava. Os olhos só pioravam e ela só se parecia mais e mais vazia. A pele dele começou a esfriar e estava chegando a um ponto em que eu a levaria para o hospital, ela querendo ou não. Foi ai que recebi uma ligação de sua mãe. Estava chorando e soluçando, e fazendo esforço pra se manter composta.

Os serviços de Julie seriam conduzidos após amanhã, ela me disse. Perguntei sobre o que ela estava falando. Que serviços? Para que? Estava confuso.

Julie veio até mim e ficou lá enquanto eu segurava o telefone. Ela olhava bem em meus olhos enquanto sua mãe me dizia: "Eu sei que é difícil para você e para todos nós, mas Julie se foi e não podemos a trazer de volta, todos nós a amávamos mas ela se foi..."

Ainda não entendia quando olhei para o rosto de horror de Julie. Ela sabia. Esse tempo todo ela sabia. Ela não havia sobrevivido ao acidente, mas de algum jeito ela estava ali e eu entendi. Os olhos dela, vazios e fundos, o brilho sumido, sua pele descolorida... Ela estava morta e eu estava observando ela decair aos poucos! Meu estômago se revirou e quase desmaiei. Julie me segurei, e senti suas frias mãos na minha nuca, fria como a morte. Ouvi a voz fina de sua mãe. Sem saber o que fazer ao certo, segurei o telefone e ela me disse que o corpo de Julie seria queimado no dia seguinte, logo ao clarear do dia. Desnorteado, eu disse ok, e avisei que iria ao funeral e a veria lá.

Desliguei o telefone e Julie e eu ficamos nos olhando por um longo tempo. Não havia mais dúvidas. Eu estava olhando para alguém que não estava vivo. Eventualmente eu falei : Como?

Ela disse que não sabia e não se importava. E quer saber? Eu também não.
Ela foi comigo para o funeral, e não foi como nos filmes, onde as pessoas atravessam ela ou algo assim. Não podiam vê-la, mas também não esbarravam nela. E quando abriam espaço para mim, abriam para ela também. Fui até seu corpo e ela ficou ao meu lado, triste, porém forte, por mim. A mão dela, fria, tão fria agora, na minha nuca. No caixão ela parecia saudável, desfarçada pela maquiagem. Foi muito difícil, mas ela estava ali do meu lado, soube me ajudar e entender que tudo que eu sempre amei foi ela e por isso me sentia tão destruído.

Voltamos para minha casa. Meus colegas de quarto estavam em casa mas ficaram fora do nosso caminho conforme eu fui para meu quarto. Naquela noite não dormimos. Só seguramos um ao outro e não me importei o quão fria ela estava. Choramos, conversamos, rimos das memórias engraçadas e choramos mais. Não falamos sobre o que estava acontecendo ou o que aconteceria.
O dia foi amanhecendo e a luz preenchendo o dia, e então o pensamento mais obscuro me ocorreu. Eu estava vendo ela como ela estava naquele momento, em decomposição. E ao meio dia desse novo dia que acabara de nascer, ela seria cremada. Entende meu sofrimento? Ela seria queimada até o nada na minha frente, e eu só poderia ver, sem fazer nada contra.
Liguei para seus pais, para a igreja, para a funerária, para quem pude para tentar evitar que a queimassem, mas ela me segurou, bem naquele lugar na nuca e me disse que estava tudo bem, tudo bem, me olhou nos olhos e agora ela começava a ficar grotesca de verdade, afundada... morta. Ela disse que me amaria para sempre e naquele momento eu soube exatamente o que faria.

Nas últimas horas o sol subiu alto e um lindo dia havia se formado. Nós assistimos as nuvens se tornarem formas engraçadas, e ao aproximar da tarde eu inventei uma desculpa para ficarmos no meu closet e lá esperamos. Quando o chegou o meio dia, eu vi seu olhar. Soube antes de começar. Ela me disse que não estava doendo. Fumaça começou a sair de seus olhos e seu cabelo pegou fogo. Uma calma fria se abateu sobre ela e calmamente a segurei em meus braços. As chamas começaram a me queimar também. Ela tentou me empurrar, mas não tinha mais forças. Sentia as chamas me queimar e não gritei. Não gritamos, não reclamamos, não falamos nada. Pude ver seu rosto se tornar uma massa preta disforme e o pressionei contra meu peito. Apertei ela e disse que a amava mais do que tudo e para sempre e a veria logo. Segurei-a até que virasse cinzas em meus braços e caísse pelos meus dedos.

Abri os olhos e não a vi mais ali. Nenhum traço dela. Nem cinzas, nem roupas, nada. Nada no closet havia queimado e minhas queimaduras haviam sumido.
Havia sido tudo isso só tristeza? Eu imaginei tudo? Ela esteve realmente ali esse tempo todo? Não sei. Escrevi isso para que minha família e amigos entendam o que eu tive de fazer. Não ficaria aqui sem ela. Não posso. Vou encontrá-la de novo e lá estará ela, acompanhada de seu brilho nos olhos e tudo estará bem de novo. Tudo bem.

sábado, 1 de novembro de 2014

A rainha e o Mestiço

Um sonho perdido
Um amor proibido
Um olhar não correspondido
Um sorriso desprotegido.

Este conto não é real, mas eu acredito que é, é problema meu...logico que é, mas os sentimentos estão borbulhando a cada momento em que eu pensava em fazer aquilo que almejava, o sorriso dela era brilhante, e eu tão invisivel, não quero que leia esta historia...porque essas palavras vão pertencer a mim e a ela, pela eternidade, mesmo que só eu vá querer saber que algo assim existe.

Era noite de março, em um ano não tão distante, novos vizinhos estão na rua de Lia, a familia de lia é composta apenas por seus pais e ela, ela nunca ouviu falar em tios, avós, ou algum outro parente...provavelmente suspeito que seus pais tenham sido aqueles casais que fugiram juntos para não ter que enfrentar a antiga guerra, sacrificando tudo e suas familias para viverem felizes...algo que eu desejava ter.

A familia de Lia bateu em minha porta, eu subitamente entrei correndo no meu quarto e fiz uma bagunça com meus brinquedos, pois naquele dia pensava que algum amigo do meu antigo bairro viria me ver. Minutos esperando e nada, então resolvi espiar, ao estar escondido no sofa, olhando em um dos cantos inferiores me deparo com uma garota que estava agachada, olhando fixamente para mim.
Estavamos a cerca de um palmo de distancia entre nossos narizes, fiquei vermelho e voltei correndo para meu quarto.

Depois daquele dia, fui a escola..ou devo dizer melhor : jardim de infancia, onde me deparo com a mesma garota na minha sala, eu como aluno novo me inturmei com o maximo de colegas possivel...naqueles tempos ficar sozinho não era algo necessario.

Não demorou muito para nos falarmos e nos conhecermos, eu senti que ela era uma garota meiga e simpatica, por eu ser criança brigavamos e competiamos em varias coisas até em guerra de comida, até que eu tive de me mudar.
Lhe fiz uma promessa em nossa despedida, porem agora eu não me lembro o que era, tambem não lembro de seu rosto ou voz.
Mas eu quero lembrar...quero tanto...

Parte 2 vai vir quando eu tiver tempo...havendo leitores ou não.

Black Rock Shooter [Mangá]

black rock shooter é uma franquia (anime e mangá)
que surgiu em meados de 2011 (mangá) com três curtos mangás
todos com o mesmo roteirista e três artistas diferentes em cada mangá.
o roteirista se chama huke
huke,
que pela sua unica foto que eu achei...parece um otaku.

primeiro temos o black rock-chan

é um mangá ao estilo k-on, deve existir um nome para este tipo de mangá...pois a leitura é diferente...
começa do lado natural, porem é para baixo. e depois com o outro lado...se alguem souber como é exatamente o nome deste tipo de leitura nesses mangás comente :).

Em seguida, temos brs the game
que é uma historia alternativa onde rock se encontra em um mundo pós-apocalitico.
a terra foi invadida por aliens e a humanidade esta se escondendo a 19 anos, sobrando apenas "seis" pessoas.

Por ultimo temos o que mais gostei!
Brs innocent soul
achei a historia muito boa!
com um final...como sempre...meio a desejar.
porem, a leitura não é cansativa.
a historia se passa com rock sendo uma especia de ceifadora de almas que fugiram do seu caminho para o céu pelos seu egoismo e desejo de viver, a tarefa de rock como uma black shooter (o que faz todo sentido) é eliminar esse egoismo *ou seja derrotar as almas estagnadas* e leva-las ao caminho certo.